Interculturalidade e decolonialidade no contexto indígenas - aproximação entre concepções teóricas

Approximation between theoretical concepts

Autores

Palavras-chave:

interculturalidade, diversidade, decolonial, povos originários

Resumo

O presente artigo consiste em um recorte da tese de doutoramento[1], que aborda uma discussão epistêmica, a partir de uma revisão da literatura, sobre a concepção de conceitos centrais para compreender a luta por direitos à diversidade dos povos originários. Nessa direção, o objetivo deste estudo centra-se na promoção da diversidade sociocultural, consistente em uma linha que entrecruza a interculturalidade e está alinhada à investigação de sua concepção, um dos eixos basilares da educação e da cultura indígena. No bojo desta apresentação, ensejamos o contexto de diversidade linguística e cultural brasileira, em que os povos indígenas são protagonistas, antecedidos por diversas modificações, a fim de alçar seus direitos tanto no âmbito social quanto linguístico.

 

[1]     O presente artigo é um recorte da minha tese de doutoramento, defendida em 2020, realizada com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (Capes) – Código de Financiamento 001.

 

 

Biografia do Autor

Rodriana Dias Coelho Costa, Universidade de Brasília

Doutora em Linguística Aplicada Crítica, numa perspectiva Intercultural e (inter)cultural, pela Universidade de Brasília (UnB), no ensino-aprendizagem do português como língua adicional. Foi bolsista de doutorado-sanduíche, na UNIVERSITÀ DEGLI STUDI G.D'ANNUNZIO-PESCARA, Itália, via Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento - CAPES. Foi integrante do grupo de estudos e pesquisa GECAL coordenado pelo Prof. Dr. Kléber Silva. É Mestra em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Goiás (2014) e foi bolsista CNPq na modalidade GM (2012-2014) com concentração em Estudos Linguísticos, numa perspectiva funcionalista-tipológico. Participou do grupo de estudos GEF, Grupo de Estudos Funcionalistas: análise, descrição e ensino. É graduada em Letras (habilitação em Português) pela Universidade Federal de Goiás (2012). Participou como pesquisadora bolsista de Iniciação Científica (2011-2012) sobre o estabelecimento da concordância de sujeito-verbo em textos de alunos universitários, coordenado pela Prof.ª Drª. Mirian Santos de Cerqueira. Participou do grupo de estudos LIFT, Línguas Indígenas e o Funcionalismo Tipológico como pesquisadora voluntária de iniciação científica (2009-2011) sobre a gramática Jê, coordenado pela Prof.ª Drª. Christiane Oliveira. Atuou como professora no Curso de Educação Indígena Intercultural, da Universidade Federal de Goiás, na área de português como Segunda língua/Língua adicional. Atualmente, é professora de Língua portuguesa e literatura no Instituto Federal de Goiás- Câmpus Goiânia. Áreas de interesse: línguas indígenas, políticas linguísticas, práticas de letramentos e culturas.

Referências

BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Tradução de Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

BRASIL. Constituição Federativa da República do Brasil. [1988] 35. ed. Brasília: Edições Câmara, 2012.

BRASIL. Presidência da República. Estatuto do Índio. Lei n.º 6.001, de 19 de dezembro de 1973. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6001.htm. Acesso em: 28 set. 2019.

CASTRO-GÓMEZ, S. La hybris del punto cero: ciencia, raza e ilustración en la Nueva Granada (1750-1816). [1958] 1a ed. Bogotá: Editorial Pontificia Universidad Javeriana, 2005. Disponível em: http://biblioteca.clacso.edu.ar/Colombia/pensarpuj/20180102042534/hybris.pdf. Último acesso em: 28 set. 2019.

CASTRO-GÓMEZ, S.; GROSFOGUEL, R. Giro Decolonial, teoría crítica y pensamiento heterárquico. In: CASTRO-GÓMEZ, S.; GROSFOGUEL, R. El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores, 2007. p. 79-92.

COSTA, R. D. C. Fiar e tecer: linhas culturais para tessitura do ensino-aprendizagem de português como língua adicional. 2020. 288 f. Tese (Doutorado em Linguística) – Universidade de Brasília, Brasília, 2020.

FLEURI, R. M. Educação intercultural: a construção da identidade e da diferença nos movimentos sociais. Perspectiva, Florianópolis, v. 20, n.º 2, p. 415-423, jul./dez. 2002. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/view/10410. Acesso em: 28 set. 2019.

FLEURI, R. M.; COSTA, M. V. Travessia: questões e perspectivas da pesquisa em educação popular. ljuí: Unijuí, 2001.

FREIRE, P. A importância do ato de ler: em três artigos que se complementam. São Paulo: Cortez, 2001.

GROSFOGUEL, R. Para descolonizar os estudos de economia política e os estudos póscoloniais. Transmodernidade, pensamento de fronteira e colonialidade global. Tradução de Inês Martins Ferreira. Revista Crítica de Ciências Sociais, Coimbra, n. 80, p. 115- 147, 2008. Disponível em: file:///C:/Users/Usuario/Downloads/rccs-697.pdf. Acesso em: 19 ago. 2019.

HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.

IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICA. Brasil tem 1,7 milhão de indígenas e mais da metade deles vive na Amazônia Legal. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/ Acesso em: 12 jun. 2022.

LÓPEZ, E. L. Trece claves para entender la interculturalidad en la educación latinoamericana. In: PRATS, E. (org.). Multiculturalismo y educación para la equidad. Barcelona: Octaedro-OEI, 2007. p. 13-44.

LUCIANO, G. J. dos S. O índio brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje. Brasília: Ministério da Educação: Secretaria de Educação Continuada: Alfabetização e Diversidade: LACED/Museu Nacional, 2006.

MIGNOLO, W. D. El pensamiento decolonial: desprendimiento y apertura. Un manifiesto. In: CASTRO-GÓMEZ, S.; GROSFOGUEL, R. El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores, 2007. p. 25-46.

MOLLICA, M. C. Fala, letramento e inclusão social. São Paulo: Contexto, 2007.

NASCIMENTO, A. M. Português intercultural: fundamentos para a elaboração curricular de uma proposta de educação linguística para professores e professoras indígenas brasileiros em formação superior específica. 2012. 476f. Tese (Doutorado em Estudos Linguísticos) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2012. Disponível em: https://repositorio.bc.ufg.br/tede/bitstream/tde/2843/1/Tese%20Andre%20M%20do%20Nascimento.pdf. Acesso em: 28 set. 2019.

QUIJANO, A. Colonialidad del poder, eurocentrismo y América Latina. In: LANDER, E. (comp.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 777-832. Disponível em: http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/sursur/20100624103322/12_Quijano.pdf. Acesso em: 26 out. 2019.

QUIJANO, A. Colonialidade do poder e classificação social. In: SANTOS, B. de S.; MENESES, M. de P. (org.). Epistemologias do Sul. Coimbra: Edições Almedina SA, 2009.

SANTOS, B. de S. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: SANTOS, B. de Sousa; MENESES, M. P. (org.). Epistemologias do Sul. Coimbra: Edições Almedina SA, 2009. p. 23-72.

SANTOS, B. de S. Um discurso sobre as ciências. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2008.

SANTOS BAUTISTA, H. Las lenguas indígenas, la interculturalidad y la educación. In: GONZÁLEZ, F. G. et al. (org.). De la oralidad a la palabra escrita: estudios sobre el rescate de las voces originarias en el Sur de México. Chilpancingo de los Bravo (México): El Colegio de Guerrero y Editora Laguna, 2012. p. 311-320. Disponível em: https://archivos.juridicas.unam.mx/www/bjv/libros/7/3098/1.pdf. Acesso em: 13 maio 2017.

SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA (AM). Lei n.º 145, de 11 de dezembro de 2002. Dispõe sobre a co-oficialização das Línguas Nheengatu, Tukano e Baniwa, à Língua Portuguesa, no município de São Gabriel da Cachoeira/Estado do Amazonas. São Gabriel da Cachoeira, AM: Câmara Municipal, [2002]. Disponível em http://www.novomilenio.inf.br/idioma/20021211.htm. Acesso em: 20 out. 2019.

TUBINO, F. La interculturalidad crítica como proyecto ético-político. In: ENCUENTRO CONTINENTAL DE EDUCADORES AGUSTINOS, 2005, Lima. Anais [...]. Lima: Orden de San Agustín, 24-28 jan. 2005. Disponível em: https://oala.villanova.edu/congresos/educacion/lima-ponen-02.html. Acesso em: 25 ago. 2019.

WALSH, C. Interculturalidad crítica y pedagogía de-colonial: apuestas (des)de el insurgir, re-existir y re-vivir. In: CANDAU, Vera Maria (org.). Educação intercultural na América Latina: entre concepções, tensões e propostas. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2009. p. 12-43.

WALSH, C. Lo pedagógico y lo decolonial: entretejiendo caminos. Querétaro (México): En cortito que's pa'largo, 2014.

WALSH, C.; GARCÍA, J. Writing Collective Memory (De)spite State: Decolonial Practices of Existence in Ecuador. In: BRANCHE, J. (ed.). Black Writing and the State in Latin America. Nashville: Vanderbilt University Press (no prelo).

WARNIER, J. P. A mundialização da cultura. Tradução de Viviane Ribeiro. Bauru, SP: Edusc, 2000.

Downloads

Publicado

2023-12-14 — Atualizado em 2023-12-14

Como Citar

Dias Coelho Costa, R. (2023). Interculturalidade e decolonialidade no contexto indígenas - aproximação entre concepções teóricas: Approximation between theoretical concepts. Revista Goyazes, 1(1), 143–164. Recuperado de https://revistagoyazes.tjgo.jus.br/goyazes/article/view/11

Edição

Seção

Artigos