A voz da mulher negra: interseccionalidades do quilombo à periferia
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.14900150Palavras-chave:
mulher negra, vulnerabilidade, gênero, raçaResumo
O presente artigo se propõe a realizar um recorte narrativo das experiências de vida de três mulheres negras brasileiras – quebradeira de coco, quilombola e urbana – em diferentes contextos sociais. O objetivo é compreender como elas construíram suas identidades e como ocorreu o entrelaçamento entre gênero, raça e classe em suas trajetórias. Sob a perspectiva feminista interseccional, o estudo utiliza entrevistas semiestruturadas focadas em temas como tradição, desafios das suas histórias pessoais, invisibilidade e aspirações futuras. A metodologia emprega a Análise Crítica do Discurso para desvendar as relações de poder, os significados subjacentes aos discursos e a contribuição da linguagem na construção da realidade social das entrevistadas. A análise das narrativas demonstra a importância da ancestralidade, da comunidade, da família e da luta política na construção da identidade e na resistência das mulheres negras, que reafirmam suas existências em uma sociedade marcada pela discriminação. A conclusão revela a urgência de compreender-se os arquétipos discutidos – “mãe preta”, “doméstica” e “mulata” – para formular políticas públicas de equidade, que combatam efetivamente o racismo estrutural e o sexismo, enraizados no tecido social.
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