Múltiplas faces da violência contra a mulher: silêncio, ciclo, invisibilidade e interseccionalidade
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.20418584Keywords:
violência contra a mulher, impactos sociais, políticas públicas, enfrentamento, violência de gênero, interseccionalidadeAbstract
Este artigo discute as diferentes formas de violência que afetam a vida das mulheres, evidenciando que não se restringem às agressões físicas, mas incluem também manifestações silenciosas e naturalizadas, como etarismo e capacitismo, além das violências psicológicas, patrimoniais e, em sua expressão mais extrema, o feminicídio. A metodologia é qualitativa com abordagem bibliográfica, a partir do diálogo com marcos legais nacionais e internacionais, bem como com a jurisprudência dos tribunais superiores, demonstrando como essas práticas impactam a vida cotidiana e produzem efeitos sociais e econômicos que ultrapassam o âmbito familiar e comunitário. Este estudo concluiu que o olhar interseccional é essencial para melhores soluções no combate à violência contra a mulher, que não se resolve apenas com punição. Também aponta caminhos para o enfrentamento, ressaltando a importância de políticas públicas consistentes, ações institucionais responsáveis e de iniciativas preventivas capazes de interromper ciclos de silenciamento e exclusão.
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