Importunação sexual: políticas públicas de proteção à dignidade das mulheres

Authors

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.20126964

Keywords:

mulheres, opressão, cultura, direitos, lei nº 13.718/2018

Abstract

A presente pesquisa analisa os impactos jurídicos e sociais da Lei n. 13.718/2018 no contexto das mulheres goianas, com o objetivo de avaliar em que medida a tipificação da importunação sexual e demais alterações promovidas pela norma influenciam as políticas públicas de tutela da dignidade sexual e de enfrentamento da cultura do estupro. Para tanto, adota-se metodologia explicativa, qualitativa e interdisciplinar, fundada em revisão bibliográfica, análise documental, observação indireta da realidade social goiana e raciocínio dedutivo, a partir de fontes textuais, discursivas e normativas, como doutrina especializada, artigos científicos, convenções, campanhas institucionais e produções audiovisuais pertinentes ao tema. Como principais resultados teóricos, verifica-se que a Lei n. 13.718/2018 representa avanço relevante ao conferir maior visibilidade jurídica a condutas historicamente naturalizadas, amplia a proteção penal da dignidade sexual feminina e favorece o acesso das mulheres à justiça. Contudo, constata-se que sua efetividade permanece condicionada à superação de limites estruturais, especialmente a persistência das desigualdades de gênero, a incidência de fatores interseccionais e os déficits de implementação das políticas públicas de prevenção, acolhimento e responsabilização. Conclui-se que a legislação é necessária, mas insuficiente quando aplicada de forma isolada, exigindo articulação com medidas educativas, institucionais e culturais capazes de transformar padrões sociais discriminatórios, fortalecer a atuação estatal e assegurar às mulheres o exercício pleno de seus direitos nos espaços públicos e privados.

 

Author Biographies

  • Platon Teixeira de Azevedo Neto, Universidade Federal de Goiás (UFG)

    Doutor em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Mestre em Direitos Humanos pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Especialista em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília (UnB), Pós-graduado em Direito do Trabalho e Previdência Social pela Universidade Europeia de Roma (UER), Graduação em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Direito e Políticas Públicas da Universidade Federal de Goiás (PPGDP/UFG) e Juiz Titular da 8ª Vara do Trabalho de Goiânia (TRT-18/Goiás). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2017473090623178.

  • Benedito Faleiro da Silva Junior, Universidade Federal de Goiás (UFG)

    Mestrando em Direito e Políticas Públicas na UFG. Especialista em Direito Constitucional pela Faculdade Gran Tecnologia e Educação S/A e Direito Processual Civil pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Assessor Jurídico de Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO). Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/9398145246072505.

  • Caetano Faleiro de Moura, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)

    Especialista em Direito Penal e Processual Penal pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Graduado em Direito pelo Centro Universitário de Goiás. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/1942338000531878.  

References

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Sejamos todos feministas. Tradução de Cristina Baum.1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

ALLPORT, Gordon Willard. A natureza do preconceito. Tradução de Dante Moreira Leite. São Paulo: Perspectiva, 1971.

AMARAL, Rodrigo Augusto Duarte. Considerações sobre a violência pela ótica de Johan Galtung: alguns aspectos do terrorismo e o advento da intolerância. Cadernos de Campo: Revista de Ciências Sociais. São Paulo, n. 19, p. 1—16, 2015. ISSN: 1415-0689.

APOSTOLOVA, Bistra Stefanova; SOUSA JUNIOR, José Geraldo de; FONSECA, Lívia Gimenes Dias da (orgs.). O direito achado na rua: introdução crítica ao direito das mulheres. v. 5. 2. ed. Brasília: Secretaria de Política para as mulheres, 2015.

ARAÚJO, Emanuel. A arte da sedução: sexualidade feminina na Colônia. In. DEL PRIORI, Mary (org.). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, p. 45—77, 2017.

BEAUVOIR, Simone. O segundo sexo. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.

BRASIL. Lei n. 4.121, de 27 de agosto de 1962. Dispõe sobre a situação jurídica da mulher casada. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 3 set. 1962.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 12 set. 2025.

BRASIL. Lei n. 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera os Decretos-Lei n. 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), e n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), e a Lei n. 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal); e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 8 ago. 2006.

BRASIL. Lei n. 13.104, de 9 de março de 2015. Altera o art. 121 do Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, para prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, e o art. 1º da Lei n. 8.072, de 25 de julho de 1990, para incluir o feminicídio no rol dos crimes hediondos. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 10 mar. 2015.

BRASIL. Lei n. 13.718, de 24 de setembro de 2018. Altera o Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para tipificar os crimes de importunação sexual e de divulgação de cena de estupro, tornar pública incondicionada a natureza da ação penal dos crimes contra a liberdade sexual e dos crimes sexuais contra vulnerável, estabelecer causas de aumento de pena para esses crimes e definir como causas de aumento de pena o estupro coletivo e o estupro corretivo; e revoga dispositivo do Decreto-Lei n. 3.688, de 3 de outubro de 1941 (Lei das Contravenções Penais). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 24 set. 2018. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13718.htm. Acesso em: 10 set. 2025.

BRASIL. Lei n. 14.994, de 9 de outubro de 2024. Altera o Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), o Decreto-Lei n. 3.688, de 3 de outubro de 1941 (Lei das Contravenções Penais), a Lei n. 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal), a Lei n. 8.072, de 25 de julho de 1990 (Lei dos Crimes Hediondos), a Lei n. 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha) e o Decreto-Lei n. 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), para tornar o feminicídio crime autônomo, agravar a sua pena e a de outros crimes praticados contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, bem como para estabelecer outras medidas destinadas a prevenir e coibir a violência praticada contra a mulher. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 10 out. 2024.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. 17. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019.

CHEGA de Fiu Fiu. Direção: Amanda Kamanchek Lemos; Fernanda Frazão. Produção: Think Olga; Brodagem Filmes. Brasília, DF: Globosat, 2018. 1 vídeo (73 min), son., color.

CORRÊA, Margarida Maria da Silva. Naturalistas e viajantes estrangeiros em Goiás (1800-1850). In: CHAUL, Nasr Fayad; RIBEIRO, Paulo Rodrigues (orgs.). Goiás: identidade, paisagem e tradição. Goiânia: Ed. UCG, p.75—121, 2001.

CRENSHAW, Kimberlé. The Urgency of Intersectionality. Produção: TEDWomen. San Francisco, CA, 2016. 1 vídeo (18 min), son., color.

DAVIS, Angela. Mulheres, cultura e política. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2017.

DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2016.

DEL PRIORE, Mary. (org.). História das mulheres no Brasil. 10. ed. São Paulo: Contexto, 2017.

ENGEL, Magali. Psiquiatria e feminilidade. In: DEL PRIORE, Mary (org.). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, p. 322—361, 2017.

FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de classes. 3. ed. São Paulo: Ática, 1978.

GONZALEZ, Lélia; HASENBALG, Carlos. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: SILVA, Luiz Antônio Machado et al. (orgs.). Movimentos sociais urbanos, minorias étnicas e outros estudos. Brasília: ANPOCS, p. 223—244, 1983.

LEMES, Cláudia Graziela Ferreira. O olhar sobre a mulher goiana na bagagem dos viajantes. In: CONGRESSO NACIONAL DO CURSO DE HISTÓRIA DA UFG, 1.; CONGRESSO REGIONAL DO CURSO DE HISTÓRIA DA UFG, 2.; SIMPÓSIO DO GT DE HISTÓRIA CULTURAL DA ANPUH/GO, 1., 2008, Jataí. Uma corte europeia nos trópicos. Jataí: UFG, 2008.

LIMA, Marcus Eugênio Oliveira; VALA, Jorge. As novas formas de expressão do preconceito e do racismo. Estudos de Psicologia (Natal), v. 9, n. 3, p. 401–411, 2004.

NUCCI, Guilherme. Curso de Direito Penal: parte especial. v.3. 3. ed. São Paulo: Forense, 2019.

PRECISAMOS falar do assédio. Produção de Paula Sacchetta. São Paulo: GLOBOSAT, 2016. Documentário (1h 20min), son., color.

RAMINELLI, Ronald. Eva Tupinambá. In: DEL PRIORE, Mary (org.). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, p. 11—44, 2017.

RIBEIRO, Djamila. Lugar de fala. 1 ed. São Paulo: Jandaíra, 2019. (Feminismos plurais).

TRUTH, Sojourner. Ain’t I a Woman? Discurso proferido na Women’s Rights Convention, Akron, Ohio, Estados Unidos, 1851.

Published

2026-05-11

How to Cite

Azevedo Neto, P. T. de ., Silva Junior, B. F. da, & Moura, C. F. de. (2026). Importunação sexual: políticas públicas de proteção à dignidade das mulheres. Revista Goyazes, 3(1), 352-374. https://doi.org/10.5281/zenodo.20126964